Museu da Maré resiste!
Por: Andressa Mandarino
Dentre as muitas dificuldades
que os moradores da favela da Maré no RJ enfrentam, uma delas ganhou grande
destaque: a permanência do Museu localizado dentro da comunidade carioca.
Inaugurado em 2006, faz parte de um equipamento cultural ainda maior, a Casa de
Cultura da Maré. Ocupando um galpão que era usado para consertos de barcos, foi
considerado pelo Ministério da Cultura o primeiro Museu em favela do
Brasil.
“Seu acervo é
majoritariamente composto por doações dos moradores, organizadas de modo a
contar ao visitante a história da comunidade do seu próprio ponto de vista. A
exposição permanente é dividida em doze “tempos”, cada qual focalizando um
aspecto de importância da vida na Maré: tempo da imigração, da água, da casa,
do trabalho, do cotidiano, da resistência, da festa, da feira, da fé, da
criança, do medo e do futuro (SELDIN C., 2008)”
A
casa de palafita recebe destaque, principalmente por remeter ao passado, onde
esse era o recurso para construírem casas e se proteger das enchentes
frequentes, consequência da “maré” que subia e alagava as humildes casas. “A
palafita reúne as lembranças e fragmentos das vidas de seus moradores, suas
vivências e experiências (VIEIRA A., 2007)”
Como
reforça o presidente da FioCruz, Fernando Gadelha, o museu da Maré
"explora dimensões da memória e da história pouco difundidas nas
narrativas oficiais dos livros didáticos e mesmo nas exposições de museus
tradicionais. Portanto, é fundamental para a construção de outras
subjetividades em relação às interpretações do passado". Essa resistência
à homogeneização da cultura reforça a auto-afirmação da comunidade e preserva
sua identidade, com uma intenção cultural, social e política, preservando algo
de grande importância para as famílias que lá ainda vivem e pelos trabalhadores
que tanto lutaram para construir e manter suas casas.
Porém,
o locador do espaçol resolveu pedir o imóvel de volta e isso gerou revolta geral,
com comoção por parte da UFRJ, FioCruz e a criação do movimento "Museu da
Maré Resiste!", que já existe há mais ou menos 4 anos. Atualmente
reconhecido como atração turística pela Secretária de Cultura do RJ e, como
ponto de cultura pelo Ministério da Cultura, segue aberto e resistindo com sua
permanência.
Fontes:
Link: Um território híbrido na Maré, RJ. Novo território cultural? (VAZ, Lilian, 2010) http://culturadigital.br/.../09/26-LILIAN-FESSLER-VAZ.1.pdf
